EMPRESÁRIO DESACATA POLICIAIS EM ABORDAGEM EM MONTE DOURADO

O delegado Thomaz Lesbaupin, titular da Polícia Civil em Monte Dourado, distrito de Almeirim, noroeste do Pará, e policiais militares da guarnição local foram desacatados por um empresário, dono de uma rede de farmácias, no município. Ele tentou impedir o cumprimento de uma determinação da promotora de Justiça Brenda Corrêa Lima, da Comarca loca, por representantes do Conselho Tutelar de Almeirim. Com de apoio de policiais civis e militares, eles foram até Monte Dourado para apurar denúncias da presença de adolescentes em uma casa noturna. Enquanto o policiamento militar ostensivo e a Polícia Civil disponibilizavam apoio aos conselheiros tutelares para averiguar a denúncia no local, os agentes flagraram a presença de uma adolescente de 15 anos no estabelecimento.

Os pais responsáveis pela garota foram identificados pelos conselheiros tutelares e orientados a retirar a filha do local e ainda a prestar esclarecimentos aos representantes do Conselho Tutelar, pois não é permitido, ainda que com a presença dos pais, a permanência de adolescentes no interior de local com venda de bebida alcoólica. O pai da garota é o empresário. Enquanto os agentes permaneciam no local, ele passou a desacatar os policiais e a questionar a legalidade da presença do Conselho Tutelar e dos outros órgãos policiais no estabelecimento. Depois, tentou impedir o andamento da averiguação no local e a proibir a filha e outras pessoas de apresentar documentos pessoais aos policiais para saber se havia a presença de outros menores de idade.

O delegado conta que interpelou o pai da garota sobre sua conduta inconveniente naquele local, porém ele respondeu que não estava falando com o delegado. Este, por sua vez, retrucou: “Mas eu estou falando com você”. O empresário, então, passou a fazer telefonemas para pessoas consideradas “influentes” economicamente na localidade. Diante da insistência do pai da garota em não prestar esclarecimentos ao Conselho Tutelar, o delegado determinou a condução do homem até a Delegacia de Monte Dourado para responder por desacato. Ao chegar à delegacia, ele se negou a assinar termo de comparecimento ao Fórum da Comarca. Diante disso, o empresário foi recolhido na unidade policial para feitura de procedimento regular de flagrante delito com arbitramento de fiança, de maneira que cedendo à pressão de amigos e familiares, ele decidiu, ao fim, assinar o termo. Depois, foi de imediato liberado.

O delegado encaminhou relatório do procedimento ao Conselho Tutelar e à Justiça local. Ele salienta “nunca ter observado tamanha desobediência, desalinho, desdém, incompatibilidade e recalcitrância à observação de regras sociais, de certas pessoas que por acreditarem ter um pouco mais de capacidade econômica que a grande média dos residentes dos interiores do Estado concluem que a lei deve servir apenas para alguns”. “Por ser um proprietário de uma rede de farmácias e destacar-se no meio comercial, ele deveria se dirigir com normalidade à autoridade de Polícia Judiciária, contudo, nos fornece traços da manutenção do 'coronelismo' em detrimento do atual sistema de direito”, concluiu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

POLÍCIA CIVIL LAMENTA FALECIMENTO DO EX-DELEGADO-GERAL E EX-CORREGEDOR BRIVALDO SOARES

8 DE MARÇO: O DIA EM QUE A EURODANCE PERDEU UM DE SEUS GRANDES ARTISTAS

PRESO ACUSADO DE MATAR SUPOSTA AMANTE DA ESPOSA EM SALINÓPOLIS