POLÍCIA CIVIL ALERTA PARA NAVEGAÇÃO SEGURA NA INTERNET NO DIA MUNDIAL DA INTERNET SEGURA
Crimes contra a honra em redes sociais (quando alguém fala mal de outrem), ameaças em redes sociais e por e-mail, extorsões (quando são exigidas quantias em dinheiro, para não serem divulgadas fotografias íntimas da vítima, por exemplo), invasões e fraudes em sistemas de empresas. Esses são os crimes que mais corriqueiramente são registrados na Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT). “Há também as fraudes bancárias (clonagens de cartões, golpes do boleto, invasões de contas bancárias pela internet) e fraudes no comércio eletrônico (compras que não chegam, lojas inexistentes)”, relaciona a delegada Beatriz Silveira, diretora da DPRCT.
No próximo dia 10, terça-feira, ocorrerá o Dia Mundial da Internet Segura, promovido no Brasil pela SaferNet, em parceria com diversas instituições, cujo tema será “Vamos criar uma internet melhor juntos”.
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| DELEGADA BEATRIZ SILVEIRA |
As mobilizações serão feitas em mais de 100 países. A SaferNet Brasil é uma associação civil de direito privado, com atuação nacional, sem fins lucrativos ou econômicos, sem vinculação político partidária, religiosa ou racial. Fundada em 20 de dezembro de 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito, a organização surgiu para materializar ações concebidas ao longo de 2004 e 2005, quando os fundadores desenvolveram pesquisas e projetos sociais voltados para o combate à pornografia infantil na internet brasileira.
Aproveitando a efeméride, a delegada Beatriz alerta que a busca pela informação é o melhor caminho para navegar tranquilamente pela internet. “O ambiente virtual traz diversos benefícios ao cotidiano das pessoas. Mas também pode trazer graves riscos, os quais a maioria das pessoas que utilizam a internet nem imaginam”, afirma. Tais riscos, acrescenta a delegada, compreendem o “furto” de dados pessoais, para posterior uso em fraudes, invasões de contas bancárias pela internet, clonagens de cartões, aliciamento e pornografia infanto-juvenil, extorsões, ameaças e crimes contra a honra, entre outros.
A delegada Beatriz afirma ainda que, valendo-se do suposto anonimato, muitas pessoas mal-intencionadas se aproveitam das facilidades que a internet oferece, especialmente pela possibilidade de troca de informações em tempo real para um número grande de pessoas. “Os criminosos podem atingir um grande número de vítimas que estão em vários locais diferentes, ao mesmo tempo, obtendo, assim maiores vantagens, normalmente pecuniárias, e correndo menos riscos de serem surpreendidos em flagrante delito”, alerta.
A delegada destaca que os crimes tecnológicos são cíclicos, pois os criminosos aperfeiçoam seus golpes, mesmo com o empenho das instituições públicas e privadas no enfrentamento. “Então, a partir do momento em que um crime é desvendado, novas formas de atuação são criadas pelos seus autores. Os crimes tecnológicos conseguem atingir cada vez mais vítimas, uma vez que a cada dia novas pessoas conectam-se à internet, o que se agrava quando os criminosos aliam tecnologia à engenharia social, que ocorre quando eles utilizam discursos convincentes para fazer as pessoas fornecerem dados pessoais e informações privilegiadas, como senhas bancárias, endereço, local de trabalho etc”, explica a delegada Beatriz.
OPERAÇÕES
A DPRCT está em funcionamento há seis anos e já garantiu a prisão de centenas de indivíduos por crimes tecnológicos. O Pará é um dos pioneiros no Brasil a ter unidade especializada nesse ramo. A delegada Beatriz cita algumas operações policiais realizada pela equipe da DPRCT, que podem servir de exemplo da ocorrência desses tipos de delitos. Uma delas foi a batizada de “Emprego dos Sonhos”, pelo qual centenas de pessoas foram atraídas a pagar quantias em dinheiro, para fins de entrevista de emprego, após os respectivos currículos terem sido selecionados pela internet; operação “Cegonha”, contra criminosos que anunciavam pela internet a venda de automóveis inexistentes, fazendo milhares de vítimas em todo o País; “Operação Reloaded”, contra crackers que subtraíram mais de R$ 2,5 milhões de conta bancária pela internet, resultando em mais de 15 presos; “Operação Swordfish”, em que foram subtraídos mais de R$ 3 milhões de conta bancária, sendo presas mais de 10 pessoas.
A delegada também lembra a prisão de um homem, em Goiânia (GO), detido após extorquir dinheiro de mulheres paraenses, para não divulgar vídeos pornográficos delas. A delegada Beatriz informa que, conforme o 31º WebShoppers, relatório sobre o comércio eletrônico brasileiro divulgado na última quarta-feira (4), pela E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico, o ano de 2014 apresentou resultado bastante positivo no comércio eletrônico brasileiro, registrando crescimento de 24% em relação a 2013, levando ao faturamento de R$ 35,8 bilhões, resultado dos 103,4 milhões de pedidos feitos, 17% a mais que no ano anterior.
Já conforme dados divulgados em janeiro deste ano pela Serasa Experian, em 2014, foram registradas 2.039.588 tentativas de fraude ou roubo de identidade, em que dados pessoais de consumidores são usados por criminosos para firmar negócios sob falsidade ideológica ou para obter crédito, o que é equivalente a uma tentativa de fraude a cada 15,5 segundos no país. Apesar do número elevado, o resultado representa queda de 7,5% em comparação a 2013, ano em que foram registradas 2.204.158 tentativas (uma a cada 14,5 segundos). “É importante que as pessoas, ao saberem que a internet oferece riscos, busquem informações acerca do uso seguro dos meios tecnológicos”, afirma a delegada. FONTE: DILSON PIMENTEL/ O LIBERAL.

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