POLÍCIA CIVIL EM ALMEIRIM NO PARÁ DESVENDA GOLPES PRATICADOS POR PRESIDIÁRIO NO ESTADO DE MATO GROSSO

A Polícia Civil do Pará concluiu, nesta quarta-feira, 9, a investigação denominada de operação "Camaleão do Pantanal”, que desvendou um golpe que era praticado por um presidiário de dentro de um presídio no Estado de Mato Grosso e que pode ter feito dezenas de vítimas em diversos Estados brasileiros. Sob coordenação do delegado Arthur do Rosário Braga, titular da Delegacia de Almeirim, oeste paraense, a ação policial identificou o autor do golpe. Trata-se do presidiário Marcos Simão Pacífico, 32 anos, nascido em Quedas do Agaçu (PR), que está recolhido no presídio de Mata Grande, em Rondonópolis (MT), desde 2007, onde possui diversos mandados de prisão por homicídio, roubo e furto. Ele e a companheira, Elissandra Lopes de Melo, que mora em Mato Grosso, foram indiciados na conclusão do inquérito. As investigações mostraram que o golpista, por meio de um telefone celular, fazia diversas ligações para as vítimas, nas quais se identificava ora como juiz de Direito ora como promotor de Justiça. O objetivo era fazer com que as vítimas inserissem créditos em telefones celulares de moradores de Rondonópolis (MT). 

DADOS DO PRESIDIÁRIO E FOTO DA COMPANHEIRA DO GOLPISTA
Todas as pessoas identificadas irão responder pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha, e tiveram os mandados de prisão solicitados pelo delegado ao Poder Judiciário. A ação do golpista veio ao conhecimento da Polícia Civil, após denúncia formulada pelo taxista Bruce Pinto de Sousa, em 9 de janeiro deste ano. Ele, na ocasião, registrou boletim de ocorrência informando que foi vítima de um golpe praticado por meio de telefone celular, onde o criminoso, passando-se por um juiz de direito de nome Marco Aurélio, teria telefonado a um hotel, em Almeirim, para solicitar a reserva de um quarto. Segundo a vítima, o falso juiz pediu ao hotel, na ocasião, que fosse enviado um táxi para lhe apanhar em determinado local. A atendente do hotel então entrou em contato com o taxista para atender a chamada do suposto cliente. Bruce de Sousa relatou ao delegado que a atendente do hotel repassou o número do telefone do taxista para o golpista. De início, o falso juiz pediu ao taxista que lhe apanhasse no Fórum Municipal de Almeirim, contudo, o golpista lhe fez diversos pedidos. “Ele disse que eu deveria estar bem trajado, que não fumasse e que levasse uma caixa de isopor para colocar água mineral”, explicou o taxista. 

Conforme a vítima, que atendeu aos pedidos do suposto juiz, durante o caminho até o Fórum Municipal, o golpista novamente entrou em contato por telefone, pedindo ao taxista que comprasse garrafas de água mineral e que pegasse o recibo das compras, pois iria lhe reembolsar o valor pago. Sem suspeitar de que se tratasse de um bandido, o taxista fez as compras e seguiu em direção ao Fórum. Porém, novamente, o golpista fez novos pedidos por telefone. “Ele pediu que eu colocasse créditos em números de telefones celulares indicados por ele e que também pegasse os recibos, pois iria me pagar e me recompensaria assim que chegasse ao Fórum para buscá-lo”, detalha a vítima. No caminho, relatou o taxista, que parou em um ponto comercial, onde pediu ao dono do comércio, Reginaldo de Jesus da Silva Sarraf, que colocasse créditos em diversos números de celulares. Ao todo, a conta deu R$ 2.050,00. 

Sem ter como repassar-lhe recibo, o comerciante teve de acompanhar o taxista até o Fórum do Município, para que os dois encontrassem o suposto juiz. Contudo, ao chegar à sede do Poder Judiciário em Almeirim, os dois descobriram que foram vítimas de um golpe, pois não havia qualquer juiz Marco Aurélio no local. A Delegacia de Almeirim com apoio do Núcleo de Inteligência Policial, da Polícia Civil, passou a investigar a informação. Durante a apuração dos fatos, o delegado explica que foi constatado que o crime foi praticado de dentro do presídio e, por meio de um telefone celular, o presidiário fazia telefones para diversos Estados do país. “Em todos os golpes, ele agia da mesma forma, passando-se ora por juiz ora por promotor de Justiça”, apurou. Ainda, de acordo com o delegado, o presidiário conseguia informações de estabelecimentos, como hoteis, por meio do acesso à internet com uso do telefone celular. “Assim, ele conseguia dados de pessoas nas cidades para onde ligava, tudo para dar credibilidade à história contada por ele e, assim, ludibriar as vítimas”, detalha. 

PRESIDIÁRIO CONFESSA GOLPES O delegado encaminhou pedido, por meio da carta precatória, para que o presidiário fosse ouvido em depoimento, no presídio. Na audiência, ele confessou o golpe, alegando que passava o dia praticando esse tipo de delito, inclusive, encarava isso como um trabalho e o praticava com bastante ousadia, tanto que já que chegou a se passar por representante de uma Procuradoria Federal para aplicar o golpe. Marcos Pacífico disse que já aplicou outros tipos de golpes. Em um deles, chegou a ganhar R$ 4.950 em dinheiro da Prefeitura de Pato Branco, no Paraná. Ele revelou ainda, no depoimento, que um amigo dele, por conta dos golpes, chegou a pegar até R$ 29 mil. Marcos revelou que tem como principal comparsa, a própria companheira, Elissandra de Melo, responsável em indicar ao presidiário os números de telefones celulares das pessoas que iriam ser beneficiadas com os créditos. “Essas pessoas pagavam para Elissandra um valor abaixo do mercado para receber pelo crédito”, explica. 

Além de Marcos Pacífico, o presidiário, e a companheira dele, foram indiciados Rosilene Pereira de Souza; Iracilda de Cássia Lopes de Melo; Dalila Lopes Cabral; Lurdes Aparecida Dias de Souza; Jeferson Moreira Barbosa; Douglas de Jesus Oliveira e Maria José Ferreira de Souza. O delegado explica que essas pessoas também contribuíram para o crime, comprando os créditos vendidos por Elissandra, de modo que, sem a conduta delas, não haveria como ocorrer o delito. “Para que Marcos realizasse o golpe, ele precisava ter os números dos telefones das pessoas. Desta forma, representamos pela prisão preventiva de todas as pessoas envolvidas”, salienta Arthur Braga. Participaram das investigações os investigadores Carlos Eduardo Rodrigues Matos e Max Tente Lins, e o escrivão João Silva de Sousa, de Almeirim, com apoio do Núcleo de Inteligência Policial. As ações atendem as orientações da Superintendência Regional do Baixo e Médio Amazonas, sob comando do delegado Gilberto Aguiar, visando intensificar a repressão ao crime na região.

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